terça-feira, 12 de junho de 2012

FELICIDADE


Não quero ser refém de nenhum precipício, pois coisa boa é ter um só vício na vida, apenas para não morrer hipócrita, e  amar é o tanto de medida que valha o desassossego no peito, que mais que isso é exagero somente e vaidade cheia, feito lua. Morrer de amor é para os santos e para os puros, que sabem amar esse amor incondicional e trágico dos risos mortos .Morrer é apenas um meio de transporte, de onde você parte de uma casa e vai morar em outra, só que muito, muito longe. Morrer é suportável. Viver é o verdadeiro e sepulcral tormento. Viver é muito maior que o momento, porque a vida é o momento que passa em si mesmo e o tempo...Ah! O tempo é braseiro se espalhando de encontro ao vento, que sopra, uiva, leva...livra...linha das horas costurando tudo com a mesma agulha prateada , do começo a outro começo, sempre! Queria levar a vida na sacola. Pouca coisa. Muita preguiça. Partindo de um gole a outro gole, de um instante ao próximo, de uma árvore a outra árvore, feito folha de outono viajando, apenas, sem nada a dever aos olhos alheios...Bom seria, se tudo fosse uma ilusão. Se por uns míseros e traiçoeiros segundos, pudéssemos vislumbrar além do véu que encobre o mundo. Não. Não! Definitivamente não quero moer minhas angústias de novo e de novo e de novo, até que minha alma esteja outra vez devassada! Viver exige mais que delírio, viver exige respeito. Aos seus ideais de merda, a bosta da música que você ouve, a porcaria de time para que você torce, a sua crença, as suas esperanças, ao seus desejos. Viver exige respeito pra caralho e a vida sempre vem cobrar na porta, a juros altos e fianças absurdas. A vida é foda! Não quero ser refém de nenhum abismo. Deixar que o nada me engula e não me rumine nunca mais e é isso que a vida ensina,coragem nunca foi sinônimo de auto destruição e a paixão é subterfúgio dos suicidas. Quero uma moda de viola em noite de inverno ao redor da fogueira no alto da montanha, uma vontade doida de comer batata doce e brincar de contar histórias de terror pra minhas filhas, uma vida simples, de emoções pequenas, nenhum sentimento maior que a lua prateando o céu  dos meus sorrisos...nada além do meu peito batendo feliz enquanto eu dançar, enquanto eu for maior que o meu ego. Eu quero o luzeiro dos vaga lumes enquanto roçam  o ar com suas bundinhas piscadeiras, contornando a escuridão e o céu apinhainho de estrelas que me contam a história da humanidade e sua origem. Não quero ser maior que as estrelas, quero apenas minha medida e meu peso em alforria de coração, nenhum nó, nenhum desperdício de instante, apenas a certeza de estar. Apenas estar e nada mais que me distraia do propósito de estar. Não quero me atirar de penhascos e nem ter que arrastar atrás de mim velhas inseguranças e desalinhos, correntes barulhentas, que me vasculham por todos os lados, até que eu não saiba mais de que lado estou. Não quero os mesmos erros. Já não me dizem nada, sequer uma sílaba me entusiasma. Erros antigos só servem para doer de novo e do mesmo jeito. Com erros velhos nada se aprende. Quero portanto cometer erros novos e maduros, erros saborosos, colhidos na estação mais doce o ano. Errar com outros olhos para novos dias. Estou farta de sonhos perfeitos que se desfazem. Melhor sonhar com aquilo que te deixa leve depois que acorda. Voar com asas firmes e pouso perfeito. Sonhar sem atropelar a delicadeza do belo, do bom, do gentil...viver como a vida vem, como ela acontece e sem pressa de passar a limpo esperanças destruídas, porque no fim das contas, nossa espera deveria ser apenas nossa. Esperar no outro é o mesmo que atirar flechas no escuro, portanto, sempre deixo luzes acesas.E assim será também o amor, feito de muitos segundos, milhares de gestos e nenhuma promessa, nenhuma certeza maior que o próprio sentimento, nenhum pedido desculpas e nem a mania de por no outro alguma culpa. A culpa é só a desculpa para não parecer arrogante e quando despejada em outrem, é uma forma imbecil de eximir-se da sua própria incapacidade. A culpa, é o que mortifica o homem e o inabilita para o que há de maior a sentir, a estar, a viver...a amar nesta vida .Não! Não quero mais desrespeitar meus sentimentos engolindo-os a seco, mas também não quero mais desaguá-los dos olhos toda vez. Quero apenas uns dias de paz e sol entre as nuvens cinzas, pra pintar colorido os dias nublados, mais lealdade nas palavras, mais zelo no afeto, mais cuidado nos passos e  aí sim, construir castelos sobre alicerces firmes. Portanto, que venham os dias melhores nos longos sorrisos que ainda darei e a isso chamarei felicidade.

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