domingo, 27 de maio de 2012

SUA





Eu  andaria descalça sobre o seu corpo,
caminharia nua nos seus passos,
vestiria seus olhos com os meus
e depois pousaria minhas asas cansadas
sobre seu peito.


Eu mergulharia no mesmo mar 
em que habitam suas água vivas
e daria a elas minhas vivas sensações,
e minhas emoções mais antigas,
daria a elas minha boca 
ainda que se queimasse,
para que guardasse dela
 o som do encontro.


Eu acreditaria em cada palavra,
gesto, canção, verso,
vindos dos nossos beijos,
da coreografia sem ensaios
das nossas línguas inquietas.


Eu seria sua se o tempo não existisse
e fossemos pura invenção da vida,
se os meus medos não fossem tão concretos
e a poesia tão etérea!


Eu seria essa manhã de domingo,
de fim de outono,
quando o sol frio aquece a pele
mas não os ossos,
quando os corpos se enlaçam
como se pudesse ser pra sempre,
como se pudesse ser encanto,
como se pudesse ser a orquestra do encontro tocando
sempre a mesma trilha sonora pros nossos dias melhores.


Eu seria esse mesmo olhar que te acorda de manhã,
puro e grato pela verdade,
esse mesmo corpo que cobre o seu,
morno e aquecido na sua pele,
seria só uma mulher e mais nada,
apenas uma mulher sobre o homem,
que se despe lentamente.

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