segunda-feira, 14 de maio de 2012

SOBRE O AMOR EM DIAS NUBLADOS


Em dias cinzas e misteriosos como este,
obscuro retrato natural de um mês de Abril
enquadrado na minha janela,
eu largo a voz de leve ao vento e me alivio.
A poesia então venta folha e vai,
como quem tem fome de ouvidos atentos.
O dia esqueceu de acordar e eu não fechei os olhos.
Derrama-se uma chuva fina e chata sobre a minha casa,
estou molhada de descobertas cruéis sobre o agora.
Estou de volta do meu sono,
romântico cativeiro
e o dia sem sol, me cega a alma ainda quente,
ávida por vida que valha, seja e aqueça.
Estou vazia de rimas...Esse poema nasce nu de pretensões
e eu me sinto deposta e presa a segurança vazia
dos meus honestos cobertores.
Sobre o amor, só há divagações perdidas
entre esse e aquele desencontro.
Sobre o amor, eu nada sei além de mim,
do que deixei , muito longe daqui.
Sobre o amor, apenas esse retrato cinza
emoldurado na janela da cozinha,
enquanto observo e espero o inverno passar
para voltar a sentir.

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