quinta-feira, 10 de maio de 2012

ÁPICE


O corpo se move e se envolve,
envolto em pele, cheiro e desejo.

O corpo todo se precipita
ao beijo e saliva
e depois recolhe em seu porto
o corpo do outro, em ápice
regado a flores Semprevivas.

O corpo todo se esfrega e reage,
não nega a vontade que arde,
invade, irrompe, rompe, acende...e treme.

O corpo todo geme as carnes súbitas
úmidas de rios e debulha-se,
mergulha, entrega, não nega e aceita o movimento
se deleita desse vinho, alimento,
aquece esse ninho cama,
o corpo inteiro ama.

O corpo vai em voltas,
se revolta entre os pelos,
cabelos, nucas, tornozelos e bocas...

O corpo todo em noites roucas,
se espalha, se encaixa, se acha
e no outro se espreita.

Explode e o corpo todo se deita.

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