quinta-feira, 5 de abril de 2012

PRÍNCIPES E SAPOS (atendendo a pedidos hehehe)

Todos são iguais entremeios.

No começo, verdadeiros Orfeus apaixonados,

repletos de gestos e anseios dissimulados.

Comparecem, se compadecem, mandam flores

e deixam doces mensagens na caixa postal.

Falam bobagens, cheios de coragem,

só pra ficar perto o bastante.

Até aceitam os defeitos de sua mais nova amante.

Fazem-se de mocinhos.

inofensivos carneirinhos...

Não passam de lobos mal alimentados!

Devoradores de sonhos estilizados!

Depois, vão ficando mudos, isolados

e até se fazem de surdos os condenados!

Desaparecem sem deixar vestígios ou recados,

não avisam as razões

e o que antes eram beijos,

transformam-se em arranhões.

Tudo é desculpa,

cansaço, estresse, labuta.

O maior culpado é sempre o trabalho.

É como em um jogo de baralho,

vence quem bate primeiro.

No começo há tempo para o sexo,

conversas sem propósito ou nexo,

namoros matinais,

colo, carinho, coisas normais,

como parque, cinema, divertimento,

de repente tudo cai para o segundo plano,

o do ESQUECIMENTO.

Viramos A B O R R E C I M E N T O !

Não pode falar nada

porque é cobrança exagerada.

Perguntar: “Onde você estava?

Porque não ligou?”,

é o mesmo que nada.

Ter ciumes, então!

Ah! Isso é coisa de criança,

nunca de mulher madura!

Chamam a gente de insegura

sem o menor tato.

Mas, ainda assim

mantemos na estante

o bendito retrato, que parece dizer:

“Está olhando o que?”

Ao que respondemos:

“Nada não! Estava só amando você!”

Mas aí se atura

porque a essas alturas

o coração já batucou forte lá dentro,

batendo descompassado.

A gente não acredita

em tamanha encenação

de artista consagrado,

afinal, ele era tão bonitinho,

tão engraçadinho e bem humorado

que parecia mesmo enviado por Deus,

o namorado.

Sem complexo algum,

na promoção da vida eu peguei um,

levei dois e fiquei sem nenhum.

Ah! Quanta esperança minada!

Quanta saliva desperdiçada!

“Como sou idiota!” - Você pensa

-“Abri a porta, deixei que ele entrasse...

Se ao menos eu não o escutasse.”

Mas sempre acreditamos nos tais

príncipes encantados,

verdadeiros anjos encarnados.

Chegam e roubam nossas noites e dias.

No fim de tudo descobrimos

que era tudo mentira pura ironia

e que tais carinhas de coitados,

no fim das contas,

escondiam sapos disfarçados.

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