quarta-feira, 4 de abril de 2012

Paredes da Memória

Chora o violino mudo
guardado em caixa fúnebre.
Chora a nota que não houve,
que não coube no espaço da tarde.
Arde em silencio cada nota morta.
Deixa uma saudade do tempo
em que a liberdade
era dona das horas
e agora,
chora o violino triste
guardado na fotografia da história.

Chora o poeta das ruas,
o palhaço do mundo
agora mudo.
Chora nessa luta desarmada
contra uma censura
que não é censurada.

Nas ruas agora correm rios
de água salgada.
A arte virou crime
e marginalizada
chora a poesia
que deveria
fazer sua casa nas calçadas.

Chora o violino triste
com sua nota embargada
e parece que as lembranças de ontem
já não nos dizem mais nada.

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