terça-feira, 3 de abril de 2012

O SONHO DE ALICE

Agora é hora de acordar Alice.

O mundo real existe e ele aguarda

Exigindo sua presença,

Silencioso e suave como bruma

Se espalhando devagar sobre a aurora,

Querendo te levar com ele.

Você não é Lucy.

Você é Alice, apenas.

Mais uma Alice, somente.

Seu céu de diamantes

Era vidro e se quebrou.

Volte Alice!

Volte para a terra obscura

Das palavras fúteis,

Onde os homens estão determinados

A minar seus campos de flores

E matar suas borboletas.

Venha querida!

Ainda há pra você um jardim de inverno

Ou japonês,

Algo nem mata, nem mar,

Nem sol, nem estrelas.

Mas é seu.

Só seu, doce e inocente, Alice!

Acorde Alice,

Para o mundo real

Como quem desperta depois

De cem anos de ilusão

E ofuscada pela verdade,

Seus olhos ficarão cegos

Para o que é realmente maravilhoso na vida...

Essa parte ficará pra trás.

Mas pense Alice, você voltará para casa,

De onde jamais deveria ter saído voando,

Deixando seus sapatos fincados

Feito monumento de despedida.

Alice veja!

O que dói

É a sua coragem de acreditar,

Não em si a própria dor.

Você já sabia que seria curto

E estreito o caminho do amor,

Deste que você tanto desejou

E que mora,

Na casa dos sonhos,

Entre a fé e a esperança!

Isso não é para você Alice!

Há coisas maiores a serem feitas,

Muitas pessoas que precisam ser amadas,

Ainda mais que você,

Então chega Alice!

Desperta deste seu sono de merda

E olha a cara da vida de frente

De novo.

Tira este seu vestido de fita,

Bota o de chita

E prende o cabelo,

Volta pra vida que te aguarda

E que sente tanta saudade de ontem!

Sua amiga, a solidão,

Não para de perguntar por você!

Acorda bendita Alice!

Esperamos de garras abertas,

Em punho,

Dentes afiados,

Salivantes,

Olhos esbugalhados,

Para ver

O seu retorno.

Olha Alice, o seu reflexo

No espelho convexo

E me diz

Se você é o que vê

De verdade.

Depois de tanto sonhar,

Caríssima Alice,

É hora de acordar.

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