terça-feira, 3 de abril de 2012

MINHA PALAVRA

A minha palavra tem esse dom de existir sozinha.
Independe de mim para existir.
Só precisa de um pouco de inspiração que venha com a brisa que entra pela janela e de um pouco do sol dos versos que vão ocupando os espaços da minha casa.
Minha palavra é descendente dos rios, corre pelo meu corpo e foge de mim. Ela não fica presa por dentro. Se move e escorre pra fora do meu tempo, feito filho parido, que nasce para o papel e depois é jogada ao vento, nas bocas do mundo.
Minha palavra é alimento vivo para os devaneios aos quais me entrego, para ambientar minha paixão pelo que é humano, para salientar minha fé no que é divino, para compor o cenário das minhas muitas luas, para traduzir meus múltiplos sonhos, para os amores e para as dores que carrego. Minha palavra é minha fonte de vida, minha respiração eterna,minha resposta, minha fronteira, meu caminho. Minha palavra sou eu inteira.
Dizem alguns que minha palavra é muito pessoal e que isso a empobrece. Cada qual tem portanto, o direito de entende-la como merece. Mas minha palavra não se ofende, não se grila com esses manifestos, porque minha palavra é livre de rótulos, ela é o instante que lhe cabe e basta. Minha palavra é meu dom. É a veste que escolhi para estar aqui. Minha palavra se molha, se enfeita, se dana, dança, pulsa, se desgoverna...Apenas porque caminha com suas próprias pernas.
O que faço é apenas dar-lhe um par de asas para sua chegada e impulso aos seus movimentos. Eu não a sustento. Ela sobrevoa sozinha os arredores dos ouvidos alheios e os olhos dos outros.
O que faço é muito pouco.
Eu apenas a mostro.
A palavra, faz todo o resto.

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