domingo, 8 de abril de 2012

LAÇOS (A Poesia da Viagem ao Centro do Mangue-07 de Abril/2012))

Eu quero mais espaço,

Aço, verso e poesia

Quero mais tempero na minha vã filosofia,

Mais de mim, mais do outro,

Que ser mim já não importa quando dois.

Quero o muito desse pouco,

Que me sacie a fome de depois

E me embriague de rimas,

Me desassossegue a alma.

Que seja chama correndo no rastro dos outros,

Enchendo meu copo de sina,

Transbordando esse corpo profundo e aos poucos.

Eu quero esse laço de cores

E essas cores em fitas,

Essas paixões vibrantes,

Essa busca bendita,

Essa voz reverberante

Que me espalha no vento,

Ser esse ser em constante movimento.

Esse que pulsa maior que tudo

E mudo fazer poesia como fosse alimento,

Na batida do tempo,

No romper dessa aurora,

Sem a pressa de chegar,

Sem vontade de ir embora.

Eu quero mais alvoroço nos meus cabelos,

Mais eriçar de pelos

E mais peles nos meus apelos,

Mais palavras entre os dedos,

Mais tom nos meus tropeços,

Mais bagagem nos recomeços.

Eu quero ver a chuva molhando a vida

E sua semente de sonhos bem nascida,

E ter minhas raízes bem fincadas na memória,

Perpetuando o contraste da minha história.

Sendo minha terra, ser também navegante,

Tendo no meu chão a minha amante

E fazer meu lugar em todas as mentes

Nessa busca única e persistente.

Quero ser esse observatório de gente,

Essa nave incandescente

Que acolhe, recolhe e sente

E que vai rimando universos pela jornada,

Ser essa voz, esse grito, essa encruzilhada,

Ser essa porteira aberta pra ver passar a boiada,

Essa lua cheia que clareia a madrugada.

Ver as ruas se cruzarem pelos mares

E mergulhar no vento indo a todos os lugares,

Ser folha, ser montanha, ser espelho,

Ser branco, amarelo, preto e vermelho.

Eu quero a minha mão espalmada pra receber

Aquilo que a vida tiver pra oferecer

E ser grata ainda que faça doer.

Quero esse som de batucada no meu peito,

Esse estardalhaço de poetas no meu sonho ,

Quero ser mais que a causa, o efeito,

É isso o que eu sendo mim me proponho.

Eu quero deixar minhas marcas no caminho,

Que me siga quem se sente sozinho

E vamos fazer uma revolução de passos

Nos muitos abraços que puder,

Enlaçando de estrelas os sorrisos

Nos muitos céus que a vida tiver.

Eu prefiro ser todo o mundo

A ser apenas essa mulher.

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