quinta-feira, 12 de abril de 2012

HÁBITO

Você me habita com a pressa dos dias passados,

Com as verdades ditas ao pé do ouvido

Enquanto a lua caprichosa nos despia.

Me habita com a mesma urgência de ontem,

Quando eu podia ver no seu olhar

Os muitos mistérios dos mares,

Quando íamos a todos os lugares

Navegando em uníssono, um no corpo do outro.

Quando aos poucos nos encontrávamos

Em pensamentos e manhãs

E assim, o sol ia iluminando o seu sorriso

Enquanto eu me molhava no seu espelho

E as horas iam embotando meus olhos,

Desafinando minha língua,

Me deixando lívida de tanto te amar...

Você me habita como as tardes

Que ainda me ardem aos ombros,

Com essa sensação tépida das marcas que ficam,

Pulsando na pele.

Me habita com sua voz reverberando no meu peito

As mesmas palavras do nosso tempo de antes...

Os lençóis já não são os mesmos,

Já não são os mesmos sonhos e nem a mesma janela

Por onde passava o frio fino das nossas aventuras e madrugadas,

Mas você ainda me habita

Da mesma maneira inteira com a qual me habitava.

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